Monday, November 05, 2007

Fênix

Eis que se levanta, do nada, esse blog há muito tempo abandonado, deletado e esquecido.
Objetivo?
Dedicar um texto do Torquato pro Cadinho.




Na Segunda se volta ao Trabalho

Torquato Neto p/ o última hora.

[13/12/1971 . segunda-feira]


“Pois eu vou contar uma história.
Sem pé nem cabeça: você sabe com quem está falando? Eu respondi que não e a autoridade
mostrou-se ofendidíssima. Foi por isso que explicou assim:
- Polícia.
Ora,eu agradeci, mostrei meus documentos,o cara conferiu que tudo era legal,e estava em
ordem e em seguida iluminou-se:
- Ora, bicho, esse teu cabelo está muito grande.
Aí eu fui alugar um apartamento para morar.Quem não precisa de um? Quando a gente
mora só e tem quem convide, a gente aceita e evita o vexame. Mas quando a gente tem família, o
jeito é aquele mesmo: primeiro enfrentar os porteiros olhando desconfiadíssimos para a minha
cara enquanto entrega as chaves.Vai a descarta:
- Acho que nem adianta olhar. Parece que já está alugado.
Pelo telefone os caras não me vêem, de modo que a informação é batata.
- É conversa do porteiro.
Aí eu fui lá, acertar a transa, assinar os papéis e tal. Aí o cara olhou para a minha. Aí ele
conferiu muito e aí ele decidiu:
- Tem gente na frente.
Aí eu saí na rua. Primeiro naTijuca,onde as pessoas se divertem olhando.Depois na cidade,
onde as pessoas me cercaram na Rua da Assembléia e gritavam corta o cabelo dele e tal.A gente
pensa: vou tomar muita porrada dessa gente. Eles olham com ódio para o meu troféu.Meu cabelo
grande e bonito espanta, espanta não, agride (a tal palavra) e eu me garanto que eu não corto.
História de cabelos...
Um cara suado e de gravata, cara de ódio, passa por mim na Conde de Bonfim, cara de uns
quarenta anos, cara de pai de família classe média típico nacional, passa no seu fusquinhasinho e
quando me vê dá um berro:
- Cachorro cabeludo!
Inteiramente maluco, o cara. Doido de pedra. Ou não?
Desci do ônibus e saí andando pela Gomes Freire.Vinha uma senhora gorda fazendo compras
com um garoto pequeno e um tipo - filho com jeitão de funcionário, sei lá de quê. De longe,
enquanto eu vinha, eles já sorriam e cochichavam tramando. Eu vi. Bem na minha frente os três
pararam e a vanguarda do movimento adiantou-se - era o garotinho:
- É homem ou é mulher?
Eu respondi.
- Mulher.
O rapazinho, o outro, gritou.Atenção? Gritou.
- Cala a boca, cabeludo desgraçado.
A mulher deu uma gargalhada e eu passei.
Inteiramente malucos, doidos varridos, doidos de pedra. Ou não (?).
Aí, crianças, a gente declara novamente: são uns malucos. São uns loucos. São uns totalitaristas:
cabeludo não entra. São uns chatos, são loucos, totalmente loucos, e perigosos. É assim que
eles estão: doidos, malucos, loucos e perigosos. Ou não?. "






Cardo, esse foi meu post de militância contra a diradura das chapinhas, em defesa de sua total liberdade capilar!
Foi também para todos aqueles que te ameaçam com tesouras e chicletes!
"É assim que
eles estão: doidos, malucos, loucos e perigosos. Ou não?. "

3 Comments:

At 11/05/2007 8:26 AM, Anonymous Juzinha said...

Vou até mudar minha opnião na campanha agora!!!

Beijos!!!!

 
At 11/05/2007 8:41 AM, Anonymous iuiu said...

uhuuuuuuu!!!!!
Abaixo à ditadura!!!! Abaixo à ditadura!!!

 
At 11/08/2007 7:08 AM, Blogger  said...

hahaha mto bom!

 

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